
O homem sempre foi alimentado pela curiosidade de desvendar os segredos que envolvem a linguagem. Em cada tempo, sob diferentes pontos de vista, e atendendo a interesses múltiplos, muitos estudos foram instaurados a fim de investigar os mistérios da comunicação verbal, no afã de responder à indagações tais como o que é a língua, qual a sua origem, como ela funciona, como ela se transforma. Os estudos da linguagem verbal ao longo dos anos têm se dividido em duas tendências: uma que se ocupa do percurso psíquico da linguagem (relação: linguagem / pensamento), que busca o que é único, universal e constante (formalismo); e outra que se ocupa com o aspecto social (relação: linguagem / sociedade), que procura o que é múltiplo, diverso e variado (sociologismo). Do século XVII e XVIII, século das gramáticas gerais, os estudos da linguagem são fortemente marcados pelo racionalismo, pois a linguagem era estudada como mera representação do pensamento. O alvo que queriam atingir era a língua-ideal – língua universal, lógica, sem equívocos, sem ambigüidades, capaz de assegurar a unidade da comunicação do gênero humano. Pressupunha-se, pois, uma fixidez da língua, consequentemente, as descrições gramaticais tinham um caráter essencialmente normativo e filosófico. Exemplos dessas tendências, encontram-se na Grammaire de Port-Royal (1660) e na teoria lingüística de Du Marsais (1729). A primeira metade do século XIX é marcada pela Lingüística Histórica, com as gramáticas comparadas. O ideal de universalidade cede lugar ao fato de que as línguas estão aptas a sofrerem mudanças com o tempo, de forma regular, sistemática. Não é mais a precisão, mas a mudança o que importa. Busca-se, então, a reconstrução da língua-mãe (protolíngua). Passa a vigorar o ideal romântico: uma tentativa de reconstruir o estado ideal da língua (estudo do indo-europeu). Esses estudiosos elencavam palavras cognatas de vários sistemas, com semelhanças de forma e sentido, e, através da comparação, buscavam o estabelecimento da protolíngua. Na década de 70 do século XIX, um grupo de acadêmicos germânicos da Universidade de Leipzig, conhecidos como neogramáticos, procuravam demonstrar a ação e o princípio da regularidade da mudança lingüística através de leis fonéticas (causa mecânica), e tudo aquilo que não pudesse ser explicado por essas leis seria explicado por analogia (associação de idéias – causa psicológica). Os cânones desta doutrina foram estabelecidos por Osthoff, Brugmann, Hermann Paul, Leskien. Esta postura foi a pioneira e predominante, até surgir estudos de várias línguas que consolidaram o modelo de difusão lexical. Este modelo propõe que a implementação de uma mudança é foneticamente abrupta e lexicalmente gradual. Os Neogramáticos, que postulavam que a mudança era foneticamente gradual e lexicalmente abrupta, atribuíam a mudança a questões puramente fonéticas, já os Difusionistas conferem ao léxico um caminho regulador de mudanças, sem retirar a importância de condicionamentos fonéticos. Os modelos difusionista e o neogramático são antagônicos, mas Labov tentou acomodar os dois modelos numa teoria da mudança sonora, atribuindo à competência do modelo neogramático as mudanças low level (mudança por baixo), e à competência do modelo difusionista as mudanças high level (mudança por cima).
Bibilografia:
MALMBERG, B. As novas tendência da Lingüística. São Paulo: Nacional, 1971.
ORLANDI, E. P. O que é lingüística. São Paulo: Brasiliense, 1986.
TARALLO, F. A pesquisa Sociolingüística. 3.ed. São Paulo: Ática, 1990.
TARALLO, F. Tempos Lingüísticos. São Paulo: Ática, 1990.