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acentosTenho percebido que no português lusitano falado, em comparação com o brasileiro, há em algumas palavras interessantes variações de acento tónico. Alguns exemplos que captei foram:

Português brasileiro / Português europeu
álibi / alibi
pornô / porno
pólipo / polipo
libido / líbido
metrô / metro

Além de:
estrógeno / estrogénio
triglicerídeos / triglicérides
 cocô / cocó.

A medida que for ouvindo mais exemplos, incluirei nessa listagem.

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O homem sempre foi alimentado pela curiosidade de desvendar os segredos que envolvem a linguagem. Em cada tempo, sob diferentes pontos de vista, e atendendo a interesses múltiplos, muitos estudos foram instaurados a fim de investigar os mistérios da comunicação verbal, no afã de responder à indagações tais como o que é a língua, qual a sua origem, como ela funciona, como ela se transforma. Os estudos da linguagem verbal ao longo dos anos têm se dividido em duas tendências: uma que se ocupa do percurso psíquico da linguagem (relação: linguagem / pensamento), que busca o que é único, universal e constante (formalismo); e outra que se ocupa com o aspecto social  (relação: linguagem / sociedade), que procura o que é múltiplo, diverso e variado (sociologismo). Do século XVII e XVIII, século das gramáticas gerais, os estudos da linguagem são fortemente marcados pelo racionalismo, pois a linguagem era estudada como mera representação do pensamento. O alvo que queriam atingir era a língua-ideal – língua universal, lógica, sem equívocos, sem ambigüidades, capaz de assegurar a unidade da comunicação do gênero humano. Pressupunha-se, pois, uma fixidez da língua, consequentemente, as descrições gramaticais tinham um caráter essencialmente normativo e filosófico. Exemplos dessas tendências, encontram-se na Grammaire de Port-Royal (1660) e na teoria lingüística de Du Marsais (1729). A primeira metade do século XIX é marcada pela Lingüística Histórica, com as gramáticas comparadas.  O ideal de universalidade cede lugar ao fato de que as línguas estão aptas a sofrerem mudanças com o tempo, de forma regular, sistemática. Não é mais a precisão, mas a mudança o que importa. Busca-se, então, a reconstrução da língua-mãe (protolíngua). Passa a vigorar o ideal romântico: uma tentativa de reconstruir o estado ideal da língua (estudo do indo-europeu). Esses estudiosos elencavam palavras cognatas de vários sistemas, com semelhanças de forma e sentido, e, através da comparação, buscavam o estabelecimento da protolíngua. Na década de 70 do século XIX, um grupo de acadêmicos germânicos da Universidade de Leipzig, conhecidos como neogramáticos, procuravam demonstrar a ação e o princípio da regularidade da mudança lingüística através de leis fonéticas (causa mecânica), e tudo aquilo que não pudesse ser explicado por essas leis seria explicado por analogia (associação de idéias – causa psicológica). Os cânones desta doutrina foram estabelecidos por Osthoff, Brugmann, Hermann Paul, Leskien. Esta postura foi a pioneira e predominante, até surgir estudos de várias línguas que consolidaram o modelo de difusão lexical.  Este modelo propõe que a implementação de uma mudança é foneticamente abrupta e lexicalmente gradual. Os Neogramáticos, que postulavam que a mudança era foneticamente gradual e lexicalmente abrupta,  atribuíam a mudança a questões puramente fonéticas, já os Difusionistas conferem ao léxico um caminho regulador de mudanças, sem retirar a importância de condicionamentos fonéticos. Os modelos difusionista e o neogramático são antagônicos, mas Labov tentou acomodar os dois modelos numa teoria da mudança sonora, atribuindo à competência do modelo neogramático as mudanças low level (mudança por baixo), e à competência do modelo difusionista as mudanças high level (mudança por cima).
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Bibilografia:

 

MALMBERG, B. As novas tendência da Lingüística. São Paulo: Nacional, 1971.
              ORLANDI, E. P. O que é lingüística. São Paulo: Brasiliense, 1986.
              TARALLO, F. A pesquisa Sociolingüística. 3.ed. São Paulo: Ática, 1990.
              TARALLO, F. Tempos Lingüísticos. São Paulo: Ática, 1990. 

O brasileiro Luiz Felipe Scolari, o Felipão, foi técnico (=seleccionador) da Selecção Portuguesa de Futebol e “garoto” propaganda da Caixa Geral de Depósitos, um grande banco português. O anúncio, veiculado na tv, chama a atenção para algumas diferenças lexicais entre as variedades americana e européia do português e as dificuldades linguísticas dos brasileiros em terras D’além-mar. Muito boa idéia!

As ruas e o casario de Lisboa são elementos vivos que nos sussuram histórias até em suas paredes mais recônditas.

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Este aviso está afixado na parede de uma das casas da Freguesia da Graça, que foi formada já muito depois do terramoto de 1755 em Lisboa, mas só adquiriu identidade própria já no século XIX. Seus aspectos linguísticos são, pois, um testemunho da época.